Sobre Escrever Bem – parte II

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Um pouco mais de Leitura

Ainda discorrendo sobre o assunto “leitura”, o convido a refletir um pouco. Procure pensar sobre como você aprendeu o que sabe até hoje. Como assimilou suas aulas na escola, na faculdade. Como formou suas convicções, como adquiriu boa parte de tudo o que você conhece. Pense e procure pensar como teria sido este aprendizado caso não soubesse ler. Claro que muitas informações nos vêem de forma prática, numa explanação oral, como nossa educação familiar, por exemplo. Mas e as demais? Os romances, as notícias jornalísticas, as pesquisas escolares, os avisos no mural da empresa que você trabalha. Muito grande é a carga de informações que temos através da língua escrita. Mas poucas são as pessoas que têm na leitura um prazer. Isso é algo no mínimo contraditório.

Torne a leitura um hábito. Uma atividade prazerosa, onde possa buscar não apenas distração, mas também informações sobre sua língua mãe. Leia sempre bons textos, sejam eles de ficção ou não. Leia artigos, dissertações e tudo o quanto possa lhe servir de base para melhorar sua intimidade com as palavras. Perceba a forma que as frases são construídas, procure notar o estilo de cada escritor. Não leia desapercebidamente, leia com entusiasmo. Com máxima atenção. Leia obras de bons escritores. Não se contente com Best Sellers que nem sempre são ou quase nunca são os melhores indicativos de boa leitura.

Vamos ver um exemplo de boa leitura:

“Fui devagar, mas ou o pé ou o espelho traiu-me. Este pode ser que não fosse; era um espelhinho de pataca (perdoai a barateza), comprado a um mascate italiano, moldura tosca, argolinha de latão, pendente da parede, entre as duas janelas. Se não foi ele, foi o pé.

Um ou outro, a verdade é que, apenas entrei na sala, pente, cabelos, toda ela voou pelos ares, e só lhe ouvi esta pergunta:

-Há alguma cousa?”

(ASSIS, Machado de. In: Dom Casmurro, Cap. 32; fragmento)

A forma que o autor descreve um fato simples é o que torna a leitura rica. Conseguimos imaginar exatamente o que ele quis expor. Não precisamos da outra parte da história para entender o trecho. Perceber que se trata de alguém que tentou entrar desapercebidamente num recinto, mas que um tropeço em algum móvel o fez ser anunciado. E tudo isso sob um clima enorme de suspense. Tudo em poucas linhas.

Escrever é preciso

Além de praticar a boa leitura, como já citado, podem-se destacar outras ações que poderão ajudar a quem busca melhorar sua escrita. A desatenção unida à pressa sempre será prejudicial a qualquer atividade; isso também se aplica à escrita. Seja um e-mail, uma carta pessoal, um bilhete; se faltar calma e atenção nós pecaremos contra os gramáticos e os Lingüistas e toda sorte de estudiosos da Língua. Por certo seremos vítimas de alguma chacota por parte de quem ler nosso texto. Abreviações, erros absurdos de ortografia, de concordância verbal e nominal.

Vejamos alguns deslizes que se tornaram hábito:

“vc” ao invés de “você”

“pq” no lugar de “porque”.

“nao” ao invés de “não”

Entre tantos outros que se proliferam. Mas aquele que pensar estar diante do maior problema: os erros ortográficos; engana-se. Digamos que tais erros são aqueles que o leitor percebe com maior facilidade, porém o que mais “suja” um texto é a falta de clareza, concordância e pontuação.

Quando me refiro à “clareza” quero dizer sobre a boa expressão, a organização das palavras de forma que o leitor consiga entender a mensagem sem precisar reler, sem precisar raciocinar em demasia. E para conseguir tal feito é preciso praticar a escrita. Não se aprende a escrever apenas lendo, mas é necessário escrever também. E para isso vale usar a imaginação. Não é preciso inventar histórias, fazer uma criação literária. Narrar fatos corriqueiros, por exemplo, é um exercício agradável que lhe ajudará a desenvolver sua capacidade de escrita. Não é manter um diário, onde você escreve para você mesmo. Algo que você espera que ninguém o leia. Não. Esse tipo de escrita não conta como exercício. É preciso escrever para uma terceira pessoa. Escrever para que outras pessoas ao lerem entendam claramente o que você quis dizer. Como faço neste texto. Escrevo para que seja compreendido por outras pessoas e não apenas para eu relembrar que o escrevi um dia. Sendo assim terei de revisá-lo, me preocupar com o que está contido em cada linha. Caso contrário me torno complexo, confuso e ponho a perder todo o meu esforço.

Ao praticar a escrita, você perceberá que o texto não é algo estático, algo que sai pronto da mente. O texto vai sendo tecido. Desenhado. Como uma massa de pão que vai tomando forma na medida em que os ingredientes são adicionados e o padeiro vai trabalhando nela. Tudo o que é escrito sempre necessitará de uma revisão. Coloque suas idéias como elas se fazem na mente, sem preocupação com regras gramaticais, apenas se expresse. Depois faça uma leitura e procure eliminar os erros ortográficos, observe se há clareza; elimine o desnecessário e acresça o que falta. As Palavras são tijolos, cabe a você dar sentido a elas, gerando assim uma nova construção.

Muitos são aqueles que não conseguem escrever algo com clareza por preocupar-se demasiadamente com a qualidade do texto mesmo antes de criá-lo.

Mãos a obra! Escrever é preciso!

Autor: André Luiz de Almeida
www.segundaguerra.org

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Patrick Wilson tem 33 anos, é Professor de Ciências Tecnológicas na PUC /SP.
Fascinado por tecnologia, futebol e tudo o que acontece no dia-a-dia e que valha ser compartilhado na Web.

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