Professores aposentados continuam na ativa


Para algumas pessoas, a aposentadoria representa o final de uma trajetória. Mas muitos optaram por continuar se dedicando a uma atividade. É o caso dos professores piracicabanos Nilson Augusto Villa Nova, 73, do departamento de Ciências Exatas da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e Benedita Ivete Brandini Negreiros, 57, que durante 35 anos deu aulas de educação física na rede pública de ensino.

É na sala de 15 metros quadrados, localizada no terceiro andar do Pavilhão de Engenharia da Esalq, que Villa Nova há 43 anos ministra aulas, realiza pesquisas e orienta trabalhos de graduação e pós-graduação.

A trajetória do docente teve início com seu ingresso no curso de engenharia agronômica da Esalq em 1953. Mas, antes de ingressar na carreira acadêmica, em 1963, Villa Nova atuou como engenheiro agrônomo nas indústrias Morlet e Dedini.

Durante dez anos, ele ajudou a fabricar equipamentos para a indústria de açúcar e álcool. Nessa ocasião, Villa Nova era empregado. Decidido a ser patrão, tornou-se sócio da Metalúrgica Conger, onde permaneceu por cinco anos.

Em 1963, deixou as indústrias e foi trabalhar como docente na instituição em que formou-se em 1956. Ingressou como assistente do Departamento de Física e Meteorologia e ministrava aulas. Em 1974, tornou-se professor associado. Nesses anos, desenvolveu mais de 100 pesquisas, que são referências no mundo.

A aposentadoria ocorreu em 1989, quando o engenheiro havia completado 56 anos. Esse fato não o impediu de continuar a exercer o que mais gostava e colocava em primeiro lugar na sua vida, o trabalho.

Segundo Villa Nova, o homem acelera o fim de sua existência quando deixa de ser participativo na sociedade. De acordo com ele, quando a pessoa gosta da atividade que exerce, aposentar-se não é bom. “É só tirar um pouco o pé do acelerador. Os únicos que têm o direito de ficar deitado, são os moradores do Parque da Ressurreição”, disse em tom bem humorado.

Há alguns anos, Villa Nova faz parte do quadro de pesquisadores do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) de onde recebe bolsas de estudos para desenvolver suas pesquisas. “Não sei ficar sem fazer nada. Gosto muito do que faço.”

Outra docente que continuou sua trajetória após a aposentadoria em 2002 é Benedita Ivete Brandini Negreiros. O único espaço de tempo em que ficou fora do mercado foram seis meses, devido a um problema familiar.

A decisão de se aposentar aos 53 anos partiu da própria professora. Ivete contou que durante quatro anos preparou-se para esse dia. “Eu queria aproveitar mais a vida. Sabia que poderia voltar a fazer algo na área e ter mais tempo livre.”

A carreira teve início aos 11 anos quando era esportista. Jogava basquete e praticava atletismo. Aos 15 anos, decidiu cursar magistério para ministrar aulas de educação física. Sua primeira experiência foi no parque Infantil. Na ocasião, começou a participar da Comissão Municipal de Esportes. “Desenvolvíamos trabalhos de lazer com crianças que viviam na periferia”, falou.

Ivete formou-se aos 18 anos, e começou a lecionar na escola José Abílio de Paula, em São Pedro. Ela disse que naquela época havia uma deficiência de professores na área da educação física.

Em 1969, Ivete quis avançar nos estudos e foi cursar pedagogia na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Permaneceu só seis meses e transferiu-se para o curso de educação física.

O excesso de trabalho fez com que a professora deixasse a carreira de esportista. “Se eu quisesse competir precisaria me dedicar mais ao esporte, mas não era possível, então optei pela docência.”

Durante os 35 anos dedicados ao magistério, Ivete exerceu vários cargos. Atuou como professora das redes estadual e particular de ensino, foi coordenadora e vice-diretora do serviço social, supervisora de ensino da Diretoria Regional de Ensino, e diretora por 13 anos de uma das escolas públicas mais tradicionais de Piracicaba, o Sud Menucci.
Após seis meses de aposentadoria, Ivete decidiu voltar ao mercado de trabalho. Há um ano dirige uma escola de desenho, localizada na avenida Independência, e há um ano e meio participa do grupo de fortalecimento do esporte no programa Escola da Família, do governo do Estado, em diversas escolas de Piracicaba. “Para mim é uma satisfação voltar ao trabalho, ele me renova.”

Fonte: Jornal de Piracicaba

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Patrick Wilson
Patrick Wilson tem 33 anos, é Professor de Ciências Tecnológicas na PUC /SP. Fascinado por tecnologia, futebol e tudo o que acontece no dia-a-dia e que valha ser compartilhado na Web.

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