Palavra de Psicólogo – Fantasia x Realidade

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Nesta semana faremos uma pausa em nossas discussões sobre o ciúme para discutir uma questão importantíssima, que aflige a imensa maioria. Gostaria de desenvolver meu raciocínio à partir do seguinte questionamento: Quem é mais poderosa, a fantasia ou a realidade? Considerando as possibilidades infinitas da mente humana, não é difícil imaginarmos o quanto a primeira opção se sobrepõe à última, sendo capaz de gerar o gozo ou o sofrimento em proporções que jamais encontraremos em nosso contato com o mundo “concreto”.

A fantasia e a imaginação são também os maiores responsáveis pelo progresso humano. A chegada do homem à Lua, apenas para citar um exemplo, foi o fruto das idéias “enlouquecidas” de escritores do passado, até tornar-se realidade há aproximadamente 40 anos atrás. Quem duvida tais “viagens” representaram o pontapé inicial para as atuais viagens espaciais?

Apesar do caráter positivo que muitas vezes atribuímos à fantasia, na prática sua influência pode gerar o sofrimento, à medida que colabora para o acúmulo dos obstáculos que nos separam de nossos objetivos. Em uma paquera, é a fantasia que torna impossível uma tarefa que já não é fácil, antecipando a situação e geralmente adicionando dificuldades, contaminada que está pelo nosso pensamento baseado no passado.

Além disso, mesmo fantasias positivas podem drenar nossa energia, visto que tiram a nossa atenção de ganhos e possibilidades de ganhos concretos. Como posso ser feliz com minha namorada se imagino freqüentemente que a garota da porta ao lado é ainda mais bonita, carinhosa e sedutora?

Nem todas as fantasias podem ser testadas na prática, pois essa liberação certamente geraria o caos. No entanto, muitas podem e devem ser transferidas para a realidade, pois só assim deixarão o interminável campo das hipóteses e transformar-se-ão em doce ou amarga realidade. De uma forma ou de outra, você estará livre para fazer novas escolhas e convicto de que aquela não era a mais indicada.

O teste de realidade, como podemos chamar tal “conversão”, deve ser realizado com coragem e determinação, mas estejam certos de que em muitos casos a realidade pode se mostrar mais amena e tolerável, e muitos que já o fizeram descobriram que perderam muito tempo “ensaiando” ou “imaginando” como seria determinada escolha, num verdadeiro exercício de “masturbação mental”, postergando assim a sua felicidade.

Não deixe para amanhã o que pode enfrentar hoje! Descubra quais são as suas fantasias e sempre que possível entregue-as com segurança à realidade. Se elas não oferecem risco a você ou às outras pessoas, não hesite e siga em frente. Um abração a todos os Quiçabidinhos e até a próxima!



  1. Caro Dr. Sergio, primeiramente parabéns pela sua coluna ‘Palavra de psicólogo’ no site quica.com.br. Sempre que posso leio atentamente aos seus artigos, e as respostas dadas às diversas perguntas. Às vezes algumas daquelas dúvidas são minhas dúvidas também 🙂 Mas desta vez gostaria de lhe fazer uma pergunta direta, voltada ao meu problema. Veja, tudo começou a mais ou menos 1 ano, quando eu (22) conheci minha vizinha (20) de porta do meu apartamento. Eu havia chegado tarde em casa e lá estava ela dormindo no hall da porta pois havia esquecido da chave e não tinha como entrar em casa. Creio eu, que me apaixonei por ela na hora, mas só 24hs depois me conscientizei disso e pensei “puxa, Deus colocou literalmente uma mulher na porta da minha casa”. Mal sabia eu o quanto eu iria sofrer por esse amor platônico, que não ficou tão platônico assim, depois que eu me declarei para ela e obtive a frase que me persegue desde que eu me entendo por gente: “eu gosto de você mas como amigo”. O problema é que eu não consigo esquecer dela. Eu já tentei de tudo, sair, conhecer gente nova, apelar pra ex-namorada, mas ela continua sendo o primeiro pensamento quando eu acordo e o último quando vou dormir. Desnecessário dizer que isso tem me prejudicado em minha vida pessoal e profissional, já que procuro por argumentos e tento bolar estratégias para conquistá-la, sempre me dando mal no final. Ela diz que sente um grande carinho por mim, ou um grande sentimento de pena, pois em certa ocasião ela chegou a me dizer que “tentou gostar de mim, mas não achou nenhum atrativo na minha pessoa” Isso me devastou internamente, sendo que continuo à procura do que existe de errado comigo e como consertar para ser mais parecido com o cara ideal para ela. Ela que também sofre por um ex-namorado que já não a quer mais, e ela não consegue deixar de gostar dele e virar a página para se abrir para um novo amor, talvez eu… Já me submeti à análise psicológ i ca por um bom tempo, mas quando se trata de questões amorosa! s, me parece que essa área da psicanálise encontra pouca margem de manobra para argumentação. O que eu quero, ou melhor, o que eu preciso é de um conselho de como agir, e não mais um do tipo que meus amigos e minha mãe me dão, para “seguir em frente”; “tocar a bola”; “esquecer dela e partir pra outra”. Porque se fosse tão fácil, e se fosse isso o que eu realmente gostaria de fazer, já o teria feito, mas ainda não consigo. Terminada a novela, gostaria de um comentário ou opinião do senhor Dr. Sergio. Por favor, eu peço que encontre o tempo necessário para ler esse e-mail e avaliar o meu caso. Muito obrigado pela atenção dispensada e mais uma vez parabéns pelo seu espaço na Internet, que ajuda a tantos como eu por ai. Um Forte Abraço!

Dr. Sergio André Segundo

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