O Corpo- Sinalizador das Necessidades Emergentes – Refluxo gastro-esofágico

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O Corpo- Sinalizador das Necessidades Emergentes – Refluxo gastro-esofágico

Cada parte de nosso corpo tem um significado simbólico que serve de canal de
comunicação entre o subconsciente e o consciente. A palavra “símbolo” provém da
palavra grega “sym-bolom” e quer dizer “aquilo que une”.

Para entendermos melhor esse processo, vamos imaginar que o nosso corpo seja o
carro e que nossa individualidade (o Ser Maior, o Self) seja o motorista, que, por
comodismo, entrega a direção ao piloto automático, o ego. Esse usa todos os recursos do
automatismo, já apreendido pelos instrumentos que se intercomunicam entre si, formando
um conjunto de características próprias, que chamaremos de personalidade.
O fluido que movimenta o carro é o Amor. Para que o carro ande adequadamente,
todos os instrumentos do motor devem estar sintonizados com o fluido (o Amor), do
contrário, formarão sujeiras, que, mais cedo ou mais tarde, trarão complicações ao
veículo.

As sujeiras acumuladas são conseqüências de atitudes equivocadas, fora da
sintonia do Amor. Esse erro no processo automático, apreendido pela personalidade, só
pode ser detectado pelo Verdadeiro Motorista (o Self), que tem o que chamamos de
consciência, capaz de discernir o equívoco na Lei do Amor. Diante da incoerência
presente, o ego, impotente e limitado, forma meios de defesa, para ludibriar a
consciência.

Habituado ao não enfrentamento com o Self, o ego camufla a sua resistência à
aceitação da realidade profunda elaborando mecanismos escapistas, de forma a preparar
seu domínio na pessoa. Assim o ego arruma varias formas de desviar seu foco de
atenção à voz da consciência, tais como a compensação, o deslocamento, a projeção, a
introjeção (fantasia) e a racionalização, segundo A. Adler e S. Freud. Em razão disso,
vivem inconscientemente, longe da realidade, dispersos, acumulando conflitos e
deixando-se arrastar pelos instintos que neles são dominantes. Felizmente, os
instrumentos do carro começam a ser corroídos pela sujeira acumulada. É a doença.
Diferenciar a postura do ego da postura do Self é de fundamental importância. O
piloto automático, quando assume a direção do carro, prioriza a não colisão com seu
ambiente. Sua postura única é a de defesa. Para tal, forma uma couraça e se camufla
para que não seja perseguido nem atacado. O instinto é que comanda. O Self, ao
contrário, utiliza o mesmo instinto para perceber as oportunidades de aprendizado nas
diferenças identificadas ao seu redor. O instinto básico de conservação não é, como o
ego, estimulado pelo medo, mas pelo desejo de se nutrir e crescer, que por sua vez se
apóia na confiança numa Força Maior que movimenta tudo e todos: a força do Amor
(Deus).

Cada instrumento do carro (como o orgão do corpo) tem uma função, cujo propósito
deve estar sintonizado com o fluido Amor, para que aja aprendizado e crescimento. Cada
parte do corpo, ou órgão, tem um papel para manter a harmonia e o crescimento do todo.
Este papel, simbolicamente, é o mesmo que o individuo tem para com o meio social em
que participa. Por esse motivo, a função de cada órgão reflete a postura que o indivíduo
tem diante da vida naquele aspecto comportamental. Por exemplo: se a musculatura da
coluna está tensa, levando à dor, “como se estivesse sobrecarregada”. Muitas vezes, não
tanto pela sobrecarga física, com a qual geralmente o corpo se adapta, mas pela
sobrecarga emocional. Como diante de uma preocupação excessiva com algo ou alguem,
cuja responsabilidade assumiu acima do que podia, pela falta de confiança no outro ou
numa Foça Maior. Vemos, assim, que um distúrbio em sua fisiologia ou estrutura
representa uma postura equivocada da personalidade do ser que o dirige, destoante do
sentimento de Amor, ou seja, movida pelo medo e não pela confiança, gerando um
desrespeito e falta de amor consigo mesmo.

A sincronia harmônica do corpo só é possível, se estiver unificada pela sintonia do
Amor, ou seja, quando o indivíduo toma atitudes coerentes com esse sentimento.
Por excelência, nesse esforço de auto-reflexão e auto-identificação, o amor deve ser
trabalhado conscientemente, a fim de desenvolver-se, já que é inerente à natureza
humana, Obra do Amor de Deus, que a impregnou desse sentimento.
O ego carrega em seu banco de dados (na personalidade) informações culturais,
aprendizado comportamental equivocado, trazido da educação ou do grupo em que
conviveu que são incoerentes com essa sintonia e, se acessadas, levam à desarmonia
interna. Um exemplo disso é a atitude relacionada à baixa auto-estima, quando uma
pessoa se agride e se desrespeita. Uma atitude apreendida (acessada) em sua infância,
quando foi desvalorizada pela super proteção ou pela culpa.

Somente quando se passa a viver a compreensão da realidade interior,
descobrindo-se e conservando-se desperto para a ação do pensamento lógico e
consciente, é que se liberam os efeitos danosos do passado e se estabelecem novas
normas de conduta para o futuro. Adquiri-se então liberdade para a ação criativa, sem as
amarras da culpa, que sempre se estabelece depois de qualquer atitude irregular, ou
prejudicial.

O subconsciente pode ser usado como “caixa dois”, onde se esconde a sujeira
debaixo do tapete. A doença é a sinalização do subconsciente, ao consciente, de que não
agüenta mais sujeira.

Essa conexão entre a doença e o comportamento equivocado do ego, se chama
psicossomática. Conhecê-la é fundamental para o nosso aprendizado e transformação,
que facilitarão a cura. Por esse motivo abordaremos as doenças que mais nos afligem
hoje. No artigo seguinte destrincharemos o significado do refluxo e veremos que a criança
pode ser rapidamente tratada quando tratamos, em conjunto, a mãe que transmite o seu
emocional a seu filho.

Para melhor compreensão do significado profundo das doenças, vamos pegar um
exemplo que tem sido muito comum e emergente hoje em dia: o refluxo gastro-esofágico.
Independente de ser fisiológico, ou não, sua causa psicossomática é a mesma, o
sentimento de rejeição à situação do momento. Quero pôr para fora, vomitar o que não
consigo engolir mais.

Em minha prática clínica e de muitos médicos homeopatas, que vão além do
sintoma físico, observa-se que as crianças que sofrem de refluxo, em sua grande
maioria, refletem o que estão absorvendo de suas mães, seu estresse emocional. Embora
pareça superstição ou crendice, esse fato já foi constatado, em pesquisas feitas na época
da União Soviética, reveladas no livro “Pesquisas por trás da Cortina de Ferro”. Nessa
obra, conta-se que foi separada uma mãe de seus filhotes de coelhos. Ela ficou em
Leningrado e os seus no outro lado do planeta, em um submarino. Sacrificaram a mãe e,
no mesmo instante, seus filhotes tiveram taquicardia (acelerou-se o batimento de seu
coração). O experimento se repetiu, porém, com o sacrifício dos filhotes, levando a
mesma alteração em sua mãe. Será superstição? Na prática, percebemos
constantemente a influência do emocional da mãe na saúde de seu filho.

Além de outros fatores, já constatados como causas influentes no refluxo, como a
alimentação, a giardíase (verminose), a congestão paranasal (o nariz entupido) e a
predisposição hereditária, existe também o estresse da mãe em seus vários níveis.
Quanto maior o número de sintomas, maior o nível de estresse, podendo piorar a
gravidade do refluxo, conforme também a força de ligação com a mãe. Vamos descrevê-los
para maior percepção dos leitores:

– A dificuldade de dizer não (quando nos é pedido algo) e a preocupação excessiva
(quando alguém fica doente) são relacionadas à dor na coluna; é a carga que você joga
nas costas, sem limites;
– A descrença na mudança do mundo ou de alguém, levando à ansiedade
(preocupações) com o futuro, por vezes, somatizando, com gripes de repetição,
hipotireoidismo ou ainda uma pedra na vesícula (quanto mais tempo dura, mais profunda
é a somatização);
– O sentimento de culpa freqüente e persistente, relacionado à dor de cabeça
latejante, quando a culpa é profunda ou inconsciente surge a enxaqueca;
– A dificuldade de expressar seu sentimento de raiva ou descontentamento,
fechando-se ou expressando-a de forma agressiva, falando sem pensar, causando, às
vezes, uma gastrite;
– Após falar ficam cansadas, como se o fôlego acabasse, levando, as vezes, a
desidrose (o descascar das mãos e/ou dos pés), com mais frequência em seu filho.
– O acordar cansada. A sensação de um dia ser igual ao outro, a mesma rotina
repetitiva de sempre. Quando o estar, em um lugar lotado, traz angústia;
– Uma T.P.M.(tensão pré-menstrual) levando à tristeza e/ou nervosismo, por ser um
momento de maior sensibilidade, em que se expressa o que está acumulado;
– A tristeza freqüente. Quando segura o choro ou este não traz alívio;
– Queda de cabelo (alopécia), pelo cansaço físico;
– A rigidez quanto à ordem e limpeza das coisas (o não aceitar o próprio limite ou do
outro) etc.
Vemos que todos os sintomas estão relacionados com o limite ou a falta dele. O
refluxo (ou vômito) é o corpo pedindo um “basta” em tudo isso. Explicaremos sobre os
sintomas mais frequentes, mais profundamente, nos próximos artigos.
O refluxo é, sem dúvida, uma causa de doenças emergentes, como otite de repetição,
crises de chiado no peito, engasgar e sufocar-se, acordando muitas vezes assustado,
podendo levar até a pneumonias de repetição. Mesmo o refluxo leve pode levar a essas
complicações. Nesse, por vezes, o único sintoma é jogar-se para trás, quando fica
nervoso, ou não gostar de ficar deitado. Mamar o peito por pouco tempo (dez minutos) e,
em intervalos curtos, brigar com o peito ao mamar, levando a mãe a pensar que o leite
materno é fraco, pois a criança fica irritada, como se estivesse com fome, quando é
realmente pela dor que sente após engolir o leite, pois o canal entre a boca e o estômago
(o esôfago) está irritado. Que mãe não se estressa, ainda mais, nessa situação?!!
Atenção, é muito comum uma criança ficar tratando de “bronquite” por muito tempo
sem melhora importante, e depois de tratar do refluxo (oculto, ou com poucos sintomas),
não tem mais crises de chiado no peito. Isso porque as crises não eram pela alergia ao
ambiente, mas sim pelo suco gástrico (do estômago) que atingia o pulmão, contraindo-o
como na bronquite e dando o mesmo chiado.

Muitos médicos só valorizam o refluxo que leva ao vômito (que é a minoria dos
pacientes). Não os culpo, pois a medicação alopática (de farmácia comum), no tratamento
tradicional, é cara, de efeitos colaterais freqüentes e é pouco aceita pela criança. O
contrário da medicação alternativa (homeopatia, florais de Bach etc), que têm um efeito
geralmente mais rápido, com melhor aceitação, com raro efeito colateral e num preço
muito mais acessível. Porém, para ter esse resultado, é fundamental tratar a mãe
juntamente com o filho (em especial, até os sete anos).

Para melhor entendimento do porquê de tratar a mãe, vamos voltar à comparação
com o motorista de carro. Acredita-se, hoje, que o ego só se torna capaz de identificar os
equívocos comportamentais, por volta dos sete anos de idade. Até então, absorve a
atitude presente do ambiente em que vive (em especial da mãe), sofrendo as influências
desse comportamento (dessa reação) equivocado(a), a doença. A partir desta idade,
assume as conseqüências da própria atitude e, para renovar as respostas equivocadas, já
apreendidas, necessita de reflexão (com a ajuda), de valores e crenças, e, assim,
identificar os sentimentos em distonia com o Amor, através do diálogo com os pais e
profissionais da saúde integral. Aprende-se, então a ouvir a voz da consciência, o
constante instrutor da auto-escola da vida.

Os conceitos da neurolingüística (R. Bandler e J. Grinder) confirmam a importância
do sentimento amoroso no aprendizado, como, também, a necessidade de mudarmos o
nosso foco inicial, quanto aos níveis neurológicos do ser humano, a partir do individuo
(foco interno), ao invés do ambiente (foco externo), passando a pessoa de agente passivo
(inconsciente) para ativo (consciente) na transformação deste ambiente:

Níveis Neurológicos do Ser Humano (pela neurolinguística):

O movimento de um agente passivo, inconsciente (egocentrado) flui do ponto 5 ao 1.
1. Indivíduo
2. Crenças e valores
3. Capacidade e habilidade
4. Comportamento
5. Ambiente
Já o movimento de um agente ativo, consciente, que ouve a voz da consciência (centrado no
Self), flui do 1 ao 5.

O objetivo do médico ou terapeuta é auxiliar o paciente (e/ou sua mãe) em se tornar
um ser consciente, agente ativo em seu ambiente, através da conquista de valores e
mudança de crenças para o desenvolvimento de sua capacidade e habilidades,
transformando com a sintonia do Amor o seu comportamento e dos que o rodeiam (em
seu ambiente). Só esta sintonia mantém unidos ego e Self, para que o piloto automático
(o ego) esteja sempre sendo atualizado (educado) pelo seu motorista. A cura da doença é
um efeito natural.

Um dia, um bom amigo, médico dedicado, meu ex-colega de faculdade, que ainda
trabalha só com a medicação alopática, me comentou frustrado: “Parece que todo
tratamento é paliativo!!!” Hoje ele busca informar-se sobre o tratamento alternativo ou
complementar.

Num futuro próximo as faculdades de medicina darão a devida importância à razão
psicossomática das doenças.

Dr. Paulo Roberto C. Crespo – Médico Homeopata, (atende todas as idades),
Fitoterapeuta inclusive de Florais, Pediatra, atende com a abordagem psicossomática

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Patrick Wilson tem 33 anos, é Professor de Ciências Tecnológicas na PUC /SP.
Fascinado por tecnologia, futebol e tudo o que acontece no dia-a-dia e que valha ser compartilhado na Web.

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