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O Caso dos Jogadores do Santos

Muito se falou e ainda há repercussões sobre a atitude “estranha” de alguns jogadores do Santos Futebol Clube, por não terem participado da ação social promovida pelo clube. Eles agiram dessa forma, segundo eles mesmos, porque a instituição atendida é espírita Kardecista.

Convenhamos que o ato em nada tivesse a ver com a religião, pois o clube se propôs ir entregar ovos de páscoa à crianças carentes e com problemas cerebrais. Os jogadores que cumpriram a agenda distribuíram o chocolate, posaram para fotos e aprenderam um pouco mais sobre a vida, ao menos tiveram um cenário bom para isso. Não houve nenhuma cerimônia religiosa, até porque este tipo de instituição existe para auxiliar a população e não para propagar a mensagem espirita. Claro, que naturalmente, pela obra se conhece o autor.

Mas enfim, o que quero dizer é que a justificativa apresentada pelos jogadores é triste e preconceituosa. No entanto isso é comum e não deveria ter ganhado a projeção que ganhou. Pois a todo o momento estamos vendo preconceitos de todas as naturezas em cada canto do mundo. A intolerância religiosa é apenas mais um desses preconceitos.

A inspiração para sermos sempre melhor que o nosso próximo já nos acompanha desde os tempos mais antigos. Em toda mitologia conhecemos os heróis e os vencidos. Ainda hoje agimos da mesma forma.

E o que me chamou a atenção na repercussão do caso dos jogadores santistas é que muito mais se falou da ausência daqueles que negaram a assistência que dos que daqueles cumpriram o seu papel social. Ou seja, como é comum em nossa sociedade, o lado negativo das coisas ganham muito mais atenção que o lado positivo.

Não vi nenhuma noticia destacando os jogadores que apoiaram a causa. No máximo houve um comentário no final de cada notícia.

Somos uma sociedade condicionada a criticar e não a elogiar. Somos condicionados a apontar os defeitos alheios e pouco fazemos para que isso mude. Não saio em defesa da atitude dos jogadores que evitaram a instituição, no entanto critica-los apenas serve para causar um mal estar maior. Após as críticas, os mais seguros de si reforçaram suas posturas e em nada foram ajudados. Mesmo aqueles que voltaram atrás e disseram se arrepender, fizeram isso por remorso e não naturalmente.

Caso fizéssemos parte de uma sociedade que soubesse elogiar, por certo, em todos os jornais estariam o destaque da boa atitude dos jogadores que entraram na instituição e entregaram os ovos de páscoa. Estaríamos dando atenção aos “heróis” e não aos “vilões”.

Como disse Raul Seixas: “É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro”.


O que melhor foi dito sobre o tema, está aqui: http://blogdoquesada.blog.uol.com.br/arch2010-04-04_2010-04-10.html#2010_04-04_11_14_22-143019754-0

Sobre Patrick Wilson

Patrick Wilson tem 33 anos, é Professor de Ciências Tecnológicas na PUC /SP.
Fascinado por tecnologia, futebol e tudo o que acontece no dia-a-dia e que valha ser compartilhado na Web.

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