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Idosos não são desprezíveis, mas humanos iluminados

idososDia desses, revi caminhando pelas ruas da cidade um velho conhecido. E lembrei-me que, tempos atrás, ele me telefonou e, no seu desabafo, expressou toda uma revolta que, com certeza, não é apenas sua.
Ele tinha ido receber o dinheiro de sua aposentadoria numa agência bancária e, apesar da cena vista ser uma coisa mais ou menos corriqueira, pela primeira vez prestou mais atenção a ela.
Os aposentados, para receber o pagamento mensal de seu beneficio, naquela agência, necessitavam subir um considerável lance de escadas. E naquele mesmo dia uma senhora pediu-lhe ajuda. Por ter problemas mais sérios de saúde, ela simplesmente não tinha condições de subir a escadaria para receber o minguado benefício que o governo lhe paga. Ele procurou ajudá-la, encaminhando-a para que conversasse com alguém na parte inferior da agência bancária.

E ai, por pura curiosidade, fez uma pequena pesquisa com alguns dos idosos que estavam na fila dos aposentados. Logo, percebeu que um tinha problemas cardíacos, outro labirintite, uma senhora tinha grave problema de artrose nos joelhos, outra, já tinha sido submetida à cirurgia cardíaca. A grande maioria dos aposentados, enfim, eram pessoas que não se aconselharia subir escadas. Mas tinham – ainda tem? -que ir lá enfrentar aquilo, todo mês.

Após a nossa conversa, refleti como as pessoas da terceira idade são tratadas como cidadãos de segunda classe no Brasil. Ou melhor, de terceira mesmo. De segunda classe são tratados os pobres. Os idosos são ainda pior tratados no Brasil.

Há todo um subdesenvolvido conceito arraigado em nossa sociedade a respeito dos mais velhos, que os define e prejulga como se fossem estorvo, como se fossem tão somente seres ultrapassados, como se representassem uma classe de cidadãos totalmente dispensável. O que, mais que um preconceito, e um erro. E um grave erro.

Em qualquer país civilizado, os mais velhos são tratados com reverência, respeito e consideração. Pela maior vivência que carregam nos ombros, no olhar e na memória, são fontes de informação e de orientação. Em culturas desenvolvidas, os velhos são os faróis dos mais jovens, são eles que iluminam o presente através de suas experiências passadas.

Aqui, no Brasil, um filho quando quer ferir o pai, o chama de velho…

Sobre Patrick Wilson

Patrick Wilson tem 33 anos, é Professor de Ciências Tecnológicas na PUC /SP.
Fascinado por tecnologia, futebol e tudo o que acontece no dia-a-dia e que valha ser compartilhado na Web.

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