Ibope ajuda a entender a Terceira Idade.

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A proporção de pessoas com idade superior a 60 anos saltou de 4% do total da população brasileira em 1940 para 8,6% no ano 2000. Em números absolutos, são quase 15 milhões de habitantes. Nas nove principais regiões metropolitanas do País, eles chegam a 5 milhões, sendo que 19% pertencem às classes A e B. No entanto, poucas empresas já atentaram para o potencial de consumo desse público, e um número ainda menor se debruçou sobre suas características e necessidades.

Para entender melhor esse segmento, o Ibope Mídia realizou estudo com pessoas maiores de 60 anos sobre temas como consumo de mídia, produtos, serviços e comportamento. “Existe interesse do mercado em conhecer melhor esse nicho, mas pouca informação sobre ele. A maior parte das pesquisas vai só até a idade de 65 anos. Conhecer os hábitos de consumo dessa parcela da população está se tornando cada vez mais importante, por isso resolvemos fazer o levantamento”, explica Dora Câmara, diretora do Ibope Mídia.

A pesquisa, que será apresentada nesta semana durante o MaxiMídia 2005, mostra que 63% dos maiores de 60 anos são chefes de família, sendo que 45% têm mais de 70 anos. Os dados relativos ao comportamento revelam uma atitude otimista e ativa: 24% acham que a situação socioeconômica do País vai melhorar nos próximos cinco anos e 58% acreditam que sua própria condição estará melhor nesse período. Além disso, 24% gostariam de empreender uma vida de novidades e mudanças, tendência verificada com mais força entre as pessoas com 60 a 69 anos.

As principais atividades de lazer dos integrantes da “melhor idade” são ouvir música, sair para caminhar e reunir-se com amigos. Eles também se dedicam à jardinagem, aos jogos de mesa e à decoração. Entre os soteropolitanos destaca-se o hábito da leitura de livros (35%). Já as curitibanas adoram atividades manuais como bordado, tricô e crochê (24%).

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Em termos de consumo de mídia, o rádio aparece como um dos meios mais importantes para esse público: é ouvido com freqüência por 80%, com preferência para os programas de música, religião e noticiosos. Dentro do gênero musical, os estilos sertanejo, evangélico e forró são os de maior destaque – menos para a classe A, que prefere música clássica e ópera (29%). A TV paga está presente nos domicílios de 17% dos pesquisados.

No quesito mídia impressa, 41% dizem ler jornais habitual-mente de segunda a sábado e 29% fazem o mesmo com relação a revistas. Neste último caso, a compra avulsa predomina, mas uma parcela expressiva (35%) assina algum título e o recebe em casa. Os gêneros de maior destaque são atualidades, culinária, celebridades e decoração.

Confirmando a impressão de que os idosos ainda têm pouca familiaridade com os computadores, a pesquisa mostra que apenas 6% acessam a internet. A maioria deles está entre os mais “jovens”: mais da metade dos usuários têm entre 60 e 64 anos. A maior parte (74%) se conecta à web de sua própria casa, e mais da metade o faz em banda larga. Os internautas da terceira idade acessam a rede principalmente para enviar e receber mensagens e para ler notícias.

Abonados

O estudo apresenta também dados sobre a posse ou uso de vários tipos de produtos e serviços. Por exemplo, em termos financeiros, o empréstimo pessoal e o cartão de crédito são os itens mais utilizados. Dentre os serviços oferecidos em domicílio, o principal é a entrega de medicamentos e de compras feitas nos supermercados, além de serviços estéticos como cabeleireiro, manicure e podólogo.

Da mesma forma que no caso da web, o segmento pouco usa o celular: 76% das pessoas dessa faixa etária não possuem aparelho e, entre os que têm, 73% são da classe A. Esse público gasta em média R$ 38 mensais com o serviço. Brasília é a cidade com maior contingente de idosos munidos de celular: 43% são donos de um telefone móvel. Curiosamente, Salvador também tem um número grande de portadores de celular (28%).

Com tempo livre, muitos idosos aproveitam para conhecer outros lugares: 28% viajaram pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, fatia que cresce para 59% se considerados apenas os entrevistados da classe A. Dentre os que viajaram, 93% ficaram no Brasil, 5% foram ao exterior e 2% fizeram passeios dentro e fora do País.

A pesquisa foi feita entre 16 e 22 de setembro, nas nove principais regiões metropolitanas do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília e Belo Horizonte). Ao todo, foram realizadas 2,2 mil entrevistas, representando um universo de 5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais.

Fonte: Folha de S. Paulo

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