EDDIE LANG, O primeiro guitarrista de Jazz

Publicado em Entretenimento - por Patrick Wilson em segunda-feira, 30 de março de 2009 Tem 0 Comentário

Para os jovens aficionados do jazz, o nome de Eddie Lang pouco ou nada significa, especialmente porque nos últimos tempos há uma tendência dos recém-chegados ao jazz de não considerarem o que aconteceu nos primórdios da história da música dos músicos. .

Eddie Lang foi um músico importante, um pioneiro da guitarra acústica no final dos anos 20 e início da década seguinte. Seu nome verdadeiro era Salvatore Massaro. Filho de italianos, algumas fontes informam que ele nasceu durante a viagem de seus pais no transatlântico que os levou da Itália para os Estados Unidos, mas outros historiadores registram seu nascimento na Penssilvânia. Seu primeiro instrumento foi o violino, que aprendeu na esola aos sete anos, tendo como professor Joe Venuti, um dos primeiros e principais violinistas do jazz. Mais tarde, já adolescente, passou a tocar banjo, tendo integrado por um ano a banda dos irmãos Tommy e Jimmy Dorsey.

Não demorou para aderir à guitarra quando integrou a banda Mound City Blue Blowers, com a qual foi para New York, chamando a atenção para o seu talento. Tocou com os conjuntos de Red Nichols, do seu ex-professor Joe Venuti, gravou discos em duo com o guitarrista Lonnie Johnson, em 1930 tocou na orquestra do célebre maestro Paul Whiteman e, em 1931, passou a acompanhar o cantor Bing Crosby, que se tornou seu grande e inseparável amigo.

Eddie foi o primeiro guitarrista de jazz a ser conhecido internacionalmente. Seus solos com acordes simples e sensitivos celebrizaram seu estilo único e inventivo, gravando discos importantes com alguns pioneiros do jazz como ele, incluindo o cornetista Bix Beiderbecke e o saxofonista Frankie Trumbauer, entre os quais o clássico “For no reason at all in C” – gravado em trio com Bix, Trumbauer e Eddie, uma formação inédita para a época..

Muito educado e modesto, Eddie falava baixo e tocava seu instrumento combinando a alma de um artista italiano com o suingue de um jazzman americano. Seu fraseado repleto de idéias análogas às de um instrumento melódico; suas passagens em breaks formavam uma combinação de notas em acordes variados, em perfeita sintonia com seus companheiros, realçando seu bom gosto e pronunciado feeling. Sua técnica inigualável, na época, tornou-o o grande favorito dos jazzmen no final dos anos 20 a início da década de 30, sendo constantementre requisitado. Os discos com as orquestras de Jean Goldkette e Whiteman, as Boswell Sisters, além de Bix & Trumbauer, elevaram-no a um plano destacado no panorama do jazz.

Como mencionamos, Eddie e Bing Crosby tornaram-se amigos inseparáveis quando atuavam com Whiteman. Crosby fazia parte do trio The Rhythm Boys, com os cantores Al Rinker e Harry Barris – o primeiro conjunto vocal da história da música americana, e Eddie brilhava como guitarrista.

Foi quando Bing Crosby começou a ganhar popularidade despontando para a fama, e logo pensou seriamente em seguir carreira solo. Finalmente, em 1931, Crosby deixou Whiteman e lavou Eddie para acompanhá-lo num trio, solidificando ainda mais a amizade que os unia.

Tudo ia muito bem, porém a amizade entre eles terminaria muito cedo de forma abrupta e muito triste. Eddie começou a ter problemas cardíacos e Bing insistia que ele consultasse um médico para operar. Bastante arredio, Eddie tinha verdadeiro pavor de médicos, remédios e hospitais, mas Crosby insistia porque havia um cardiologista em New York que fôra bem-sucedido em várias cirurgias do coração. Depois de muita insistência de Crosby, Eddie decidiu consultar o cirurgião, que marcou a data de operação. Entretanto, dois dias após a consulta Eddie sofreu uma embolia, sendo operado às pressas, mas faleceu na mesa de operações aos 33 anos.

Desesperado, Bing Crosby não se conformou com a morte do grande amigo. Durante o funeral, ele chorava copiosamente e dizia a todos: “Sou um desgraçado, fui o culpado da morte dele. Nunca deveria ter insistido para ele operar. Eu é quem deveria morrer no lugar dele”.

Bastante abalado, Bing Crosby não cantou, não saiu de casa e pouco falou durante vários meses. Somente voltou a cantar por insistência de amigos e músicos.

Quando tornou-se famoso e milionário como cantor popular e astro do cinema, sempre sentindo-se culpado pela perda do grande amigo, até sua morte, em 1977, Bing Crosby depositou mensalmente 20 mil dólares na conta bancária da viúva de Eddie Lang.


About - Patrick Wilson tem 33 anos, é Professor de Ciências Tecnológicas na PUC /SP. Fascinado por tecnologia, futebol e tudo o que acontece no dia-a-dia e que valha ser compartilhado na Web.

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