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EDDIE LANG, O primeiro guitarrista de Jazz

Para os jovens aficionados do jazz, o nome de Eddie Lang pouco ou nada significa, especialmente porque nos últimos tempos há uma tendência dos recém-chegados ao jazz de não considerarem o que aconteceu nos primórdios da história da música dos músicos. .

Eddie Lang foi um músico importante, um pioneiro da guitarra acústica no final dos anos 20 e início da década seguinte. Seu nome verdadeiro era Salvatore Massaro. Filho de italianos, algumas fontes informam que ele nasceu durante a viagem de seus pais no transatlântico que os levou da Itália para os Estados Unidos, mas outros historiadores registram seu nascimento na Penssilvânia. Seu primeiro instrumento foi o violino, que aprendeu na esola aos sete anos, tendo como professor Joe Venuti, um dos primeiros e principais violinistas do jazz. Mais tarde, já adolescente, passou a tocar banjo, tendo integrado por um ano a banda dos irmãos Tommy e Jimmy Dorsey.

Não demorou para aderir à guitarra quando integrou a banda Mound City Blue Blowers, com a qual foi para New York, chamando a atenção para o seu talento. Tocou com os conjuntos de Red Nichols, do seu ex-professor Joe Venuti, gravou discos em duo com o guitarrista Lonnie Johnson, em 1930 tocou na orquestra do célebre maestro Paul Whiteman e, em 1931, passou a acompanhar o cantor Bing Crosby, que se tornou seu grande e inseparável amigo.

Eddie foi o primeiro guitarrista de jazz a ser conhecido internacionalmente. Seus solos com acordes simples e sensitivos celebrizaram seu estilo único e inventivo, gravando discos importantes com alguns pioneiros do jazz como ele, incluindo o cornetista Bix Beiderbecke e o saxofonista Frankie Trumbauer, entre os quais o clássico “For no reason at all in C” – gravado em trio com Bix, Trumbauer e Eddie, uma formação inédita para a época..

Muito educado e modesto, Eddie falava baixo e tocava seu instrumento combinando a alma de um artista italiano com o suingue de um jazzman americano. Seu fraseado repleto de idéias análogas às de um instrumento melódico; suas passagens em breaks formavam uma combinação de notas em acordes variados, em perfeita sintonia com seus companheiros, realçando seu bom gosto e pronunciado feeling. Sua técnica inigualável, na época, tornou-o o grande favorito dos jazzmen no final dos anos 20 a início da década de 30, sendo constantementre requisitado. Os discos com as orquestras de Jean Goldkette e Whiteman, as Boswell Sisters, além de Bix & Trumbauer, elevaram-no a um plano destacado no panorama do jazz.

Como mencionamos, Eddie e Bing Crosby tornaram-se amigos inseparáveis quando atuavam com Whiteman. Crosby fazia parte do trio The Rhythm Boys, com os cantores Al Rinker e Harry Barris – o primeiro conjunto vocal da história da música americana, e Eddie brilhava como guitarrista.

Foi quando Bing Crosby começou a ganhar popularidade despontando para a fama, e logo pensou seriamente em seguir carreira solo. Finalmente, em 1931, Crosby deixou Whiteman e lavou Eddie para acompanhá-lo num trio, solidificando ainda mais a amizade que os unia.

Tudo ia muito bem, porém a amizade entre eles terminaria muito cedo de forma abrupta e muito triste. Eddie começou a ter problemas cardíacos e Bing insistia que ele consultasse um médico para operar. Bastante arredio, Eddie tinha verdadeiro pavor de médicos, remédios e hospitais, mas Crosby insistia porque havia um cardiologista em New York que fôra bem-sucedido em várias cirurgias do coração. Depois de muita insistência de Crosby, Eddie decidiu consultar o cirurgião, que marcou a data de operação. Entretanto, dois dias após a consulta Eddie sofreu uma embolia, sendo operado às pressas, mas faleceu na mesa de operações aos 33 anos.

Desesperado, Bing Crosby não se conformou com a morte do grande amigo. Durante o funeral, ele chorava copiosamente e dizia a todos: “Sou um desgraçado, fui o culpado da morte dele. Nunca deveria ter insistido para ele operar. Eu é quem deveria morrer no lugar dele”.

Bastante abalado, Bing Crosby não cantou, não saiu de casa e pouco falou durante vários meses. Somente voltou a cantar por insistência de amigos e músicos.

Quando tornou-se famoso e milionário como cantor popular e astro do cinema, sempre sentindo-se culpado pela perda do grande amigo, até sua morte, em 1977, Bing Crosby depositou mensalmente 20 mil dólares na conta bancária da viúva de Eddie Lang.

Sobre Patrick Wilson

Patrick Wilson tem 33 anos, é Professor de Ciências Tecnológicas na PUC /SP. Fascinado por tecnologia, futebol e tudo o que acontece no dia-a-dia e que valha ser compartilhado na Web.

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