A aventura capitalista depois dos sessenta


Essa pode ser a melhor hora para fazer dinheiro
Imagine a cena: uma rede balança tranquila, embalada pela brisa dos coqueiros de uma praia paradisíaca. Você certamente já viu esta imagem estampada nas propagandas de planos de previdência. É sempre assim. Quando se fala em finanças pessoais para a terceira idade, a idéia vendida é a mesma: aposentadoria é hora de parar tudo e viver às custas do que se conquistou até então. Mas será que na vida real os sexagenários estão aceitando viver esse papel? Não é o que parece. Cada vez mais, é possível cruzar com senhores e senhoras que estão aproveitando a experiência dos cabelos brancos para meter a cara no capitalismo. Seja por meio de investimentos mais agressivos, da abertura de novos negócios ou mesmo da entrada em portais financeiros. No portal Patagon, por exemplo, quase 10% dos usuários têm mais de 60 anos. O que eles não querem é ficar parados – e muito menos deixar seu capital dormindo. Além de desmentirem aquela idéia de que na velhice não dá para ter o mesmo vigor de antes, eles também estão mostrando que levam uma vantagem digna de dar inveja a qualquer um: tempo de sobra.

“Antes, eu vinha aqui correndo, em intervalos e na hora do almoço. Agora fico aqui o tempo que preciso”, conta o advogado Alcides Fernandes, 65 anos. O “aqui” a que Fernandes se refere é a Bolsa de Valores de São Paulo. Há 42 anos ele frequenta diariamente o aquário da Bovespa, um mezanino de onde os investidores acompanham o pregão. Para felicidade de seu Alcides – como é conhecido entre os frequentadores do pedaço – desde que se aposentou, quinze anos atrás, ele já não precisa monitorar seus investimentos pelo telefone. A aposentadoria lhe deu tempo para acompanhar o negócio in loco e, com isso, justificar aquele ditado que diz que é “o olho do dono que engorda o boi”. “Estando aqui eu consigo sentir o clima do mercado e isso é fundamental”, conta. Apesar de o advogado bater seu cartão na Bovespa religiosamente, muitos senhores como ele acham que ir ao pregão é coisa do passado. Eles viraram internautas convictos e só movimentam suas finanças pela Internet. “São pessoas que investem on-line porque têm interesse em aumentar o patrimônio”, conta Michael Esrubilsky, presidente da Patagon. Ou seja, é um engano pensar que os aposentados só querem preservar seu patrimônio. “Se já houver uma reserva que lhes permita viver tranqüilos, dá para ganhar mais dinheiro, arriscando e fazendo novos negócios”, diz Fernandes.

Portanto, também esqueça a noção de que ser empreendedor depende de idade. Basta lembrar do empresário Abraham Kasinski, de 82 anos. Depois de vender a Cofap, a maior produtora de autopeças do Brasil, ele comprou, no ano passado, uma fábrica e uma rede de concessionárias de motos. Emprestou seu nome ao projeto e hoje dá expediente de até 14 horas diárias para vencer a batalha num mercado acirrado. Além da ousadia, Kasinski chama a atenção por exemplificar um novo conceito das finanças pessoais na terceira idade: é possível, sim, fazer planos para o longo prazo, mesmo porque a medicina tem garantido mais tempo de vida. “Uma pessoa que ainda tem uma expectativa de vinte anos pela frente quando se aposenta pode montar um portfólio pensando em prazos de 5, 10, 15 anos”, avalia Rosaline Marinho Nunes, diretora de investimento do Citibank. “Na terceira idade, as pessoas têm normalmente um perfil conservador, mas isso não a impede de assumir um objetivo agressivo e querer mais retorno”, diz Jorge Misumi, diretor do HSBC Asset Management. Na prática, um sexagenário pode e deve investir em renda fixa para assegurar seu padrão de vida. Mas, se ele planejar financiar a faculdade do neto daqui a quinze anos, também pode ser agressivo e colocar parte do capital em renda variável porque dá tempo de recuperar perdas.

“A idade mais avançada é até uma vantagem, porque traz a experiência de como fazer e de como não fazer”, revela o empresário Mário Adler, aos 62 anos. Adler esteve por três décadas à frente da fábrica de brinquedos Estrela. Vendeu a empresa em 1996 e, em dois meses, montou um escritório para buscar novos projetos. “Ficar em casa, de jeito nenhum”, diz. “Nunca quis viver de juros.” O surpreendente é que, aos 60 anos, ele tomou uma decisão que muitos empresários de 40 anos não teriam coragem: entrar numa área desconhecida. Associou-se à Isratec, empresa de perfuração de poços artesianos, em parceria com Roberto Faldini e Celso Lafer. Conquistou clientes como GM, Ford, Nestlé e continua com fôlego. “Quanto mais você faz, mais tempo tem”, diz.

Fonte: Diário do Piaui

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Patrick Wilson
Patrick Wilson tem 33 anos, é Professor de Ciências Tecnológicas na PUC /SP. Fascinado por tecnologia, futebol e tudo o que acontece no dia-a-dia e que valha ser compartilhado na Web.

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